quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Altos e Baixos do Dólar, alto ou baixo?

Em um passado não muito distante, era muito comum escutar as fortes críticas em relação ao Dólar alto. Porém, hoje a preocupação gira em torno da queda do Dólar. Diz-se que a queda da moeda, ou no caso, a valorização do Real perante a moeda estrangeira, agride a indústria nacional.

A alta do Dólar, de modo geral, é o ideal para os produtores brasileiros. Isso porque os mesmos, ao venderem seus produtos em território nacional, sofrem grande vantagem na disputa de preços, vencendo então, a competição em níveis nacionais. O consumidor, por outro lado, preferindo produtos importados muitas vezes, perde a briga, e para adquirir estes produtos deve investir uma grande soma. A nível internacional, o Dólar alto também contribui para estes produtores, pois este patamar de cotação faz o produto brasileiro se tornar economicamente mais viável no mercado internacional, dado que este produto será vendido a um preço dividido pela taxa de câmbio.

Já a valorização do Real segue um fluxo inverso ao Dólar alto. Para os produtores, o mercado nacional sofre a invasão em massa de produtos internacionais, com preços mais acessíveis e com uma fama positiva de que “se é importado é melhor”, e com a queda de preço, a compra destes se torna muito mais acessível. O comportamento do consumidor segue a onda de aproveitar essa fase, antes que termine, e como estamos acompanhando, essa fase tende a continuar, o que em tese, prejudica fortemente a indústria nacional. No aspecto internacional, os malefícios também se estendem, os produtos brasileiros passam a sofrer um aumento de preço, visto que, com a diminuição da taxa de câmbio, o valor antes usado para a divisão diminui, tornando o resultado maior. Assim, o valor do produto no mercado internacional se torna menos competitivo, e por conseqüência, perde espaço.

Portanto, agradar gregos e troianos fica quase impossível. Tentar achar um ponto onde nem o consumidor e nem o produtor sejam prejudicados com as variações da taxa de câmbio, parece utópico. O governo trabalha hoje para conter a desvalorização do Dólar, ao comprar Dólar do mercado, com o intuito de diminuir a quantidade da moeda ofertada. Isso tudo para tentar manter a indústria nacional competitiva, tanto nacional, quanto internacionalmente, afinal estas indústrias são responsáveis pela saúde da balança comercial.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brasil: bolhas e macacos :: Paulo Nogueira Batista Jr.

"Estou nos Estados Unidos, leitor, há mais de dois anos. Uma coisa me impressionou desde o início: a popularidade do Brasil no exterior, em marcado contraste com a nossa frágil e problemática autoimagem.

Essa popularidade continua crescendo. Vai-se formando, quase diria, um entusiasmo internacional pelo Brasil.

A onda pró-Brasil parece configurar uma espécie de bolha. No campo econômico-financeiro já temos sintomas de um movimento de manada. Isso levou o governo a taxar a entrada de capitais — medida que seria considerada herética e impensável há alguns anos.

Quando o Brasil adotou o IOF sobre certos tipos de investimento estrangeiro, um analista de mercado baseado em Nova York observou: “Eles estão lutando contra o mercado inteiro . Todo mundo quer estar no Brasil agora.” Deus nos livre dos entusiasmos do mercado financeiro! Já vimos, repetidas vezes, os estragos que esse tipo de entusiasmo pode produzir.

À euforia, segue-se o colapso.

Quanto maior a primeira, mais catastrófico o segundo. Ou, no popular: quanto mais alto o galho, maior a queda do macaco.

Por outro lado, macaco velho não põe a mão em cumbuca. A decisão de taxar a entrada de fluxos financeiros visa justamente a deter, ainda que em parte, a entrada de capitais de curto prazo, encarecendo a especulação com ativos denominados em reais. O objetivo do governo é dificultar a formação de bolhas especulativas no mercado cambial e na Bolsa de Valores.

Não sei se a medida será bemsucedida.

Ela requer provavelmente medidas complementares e, em especial, uma aplicação rigorosa.

Dizem que a moderna “engenharia financeira” permite contornar qualquer controle ou regulação.

Não há dúvida de que a engenhosidade da turma da bufunfa é grande. São craques em inventar formas de evasão regulatória e fiscal.

Para fazer valer as suas medidas, o governo precisa, por um lado, aplicá-las de forma inteligente e seletiva. Por outro, deve estar preparado para impor punições aos que infringirem as leis e a regulação.

Com algumas punições exemplares, bem aplicadas, os bufunfeiros, engenhosos ou não, se alinharão rapidamente.

Mas era outro o ponto que queria fazer. A onda pró-Brasil é tão grande que até uma medida controvertida como o controle de capitais foi bastante bem recebida no exterior.

Parece que o Brasil não consegue fazer nada de errado! O governo colheu vários elogios ao novo IOF, inclusive do mais importante jornal econômico da Europa, o “Financial Times”, e do codificador do famigerado “ Consenso de Washington”, o economista John Williamson.

Elogios do pai do “Consenso”! Quase pergunto: Onde foi que erramos? Realmente, começo a estranhar um pouco esse sucesso todo. Afinal, não estamos com essa bola toda. O sucesso econômico brasileiro é relativamente recente.

Os nossos indicadores sociais e educacionais são ainda muito ruins. E o próprio sucesso econômico pode conter as raízes de uma crise futura.

Por exemplo: a excessiva valorização do real pode minar de maneira grave a posição externa da economia e o seu potencial de crescimento e diversificação.

Não fosse o eterno risco de recaída no complexo de vira-lata, até recomendaria que vestíssemos as sandálias da humildade.

O mais importante, entretanto, é proteger-se contra a especulação, manter as contas públicas e externas em ordem, aplicando com rigor controles e regulamentos prudenciais.

E lembrar que, como escreveu Kipling, triunfo e desastre são impostores e devem ser tratados da mesma forma."

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Petróleo é alternativa ao dólar fraco

(Valor Econômico de 29/10/2009)

O petróleo voltou a assumir o papel que tinha antes do colapso dos preços no ano passado - um santuário para os investidores que fogem do dólar. Pelo menos no momento, ele é exatamente isso. Na última semana, o preço do petróleo bruto superou a barreira dos US$ 80 o barril pela primeira vez desde setembro de 2008 (o preço referencial do barril de óleo bruto terminou a sexta-feira a US$ 80,50). Isso acontece depois de um período de grande volatilidade que durou um ano. Desde o terceiro trimestre do ano passado o preço do petróleo disparou para US$ 147, caiu para US$ 32 e apenas uma semana atrás era negociado a menos de US$ 70 o barril.

Mesmo assim, analistas afirmam que os fundamentos do mercado de petróleo estão tão fracos que os preços não irão subir muito mais, podendo na verdade recuar. "Esta é uma recuperação liderada pelo dólar e não tem sustentação", diz Phil Flynn, analista da PFGBest Research, uma corretora de futuros.

O dólar é o principal motivo por trás do aumento de 15% nos preços do petróleo na última semana, segundo analistas. Desde março o dólar se desvalorizou 15% (ajustado à inflação), em comparação a uma cesta de moedas de grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos. Operadores vêm tentando amortecer a queda no valor dos dólares que têm em carteira, comprando contratos futuros em portos seguros tradicionais. Num reflexo da alta do petróleo bruto, o preço do ouro disparou este ano para mais de US$ 1.000 a onça troy, uma alta de cerca de 20%. "O aumento contínuo dos preços do petróleo significa que os operadores querem manter ativos fortes", disse Lawrence Goldstein, diretor da Energy Policy Research Foundation de Washington.

Poucos especialista estão prevendo um fortalecimento súbito do dólar, de modo que os preços do petróleo poderão ficar onde estão. Mas os fundamentos estão tão fracos, segundo analistas, que os preços poderão cair rapidamente abaixo dos US$ 80 e até mais. Quando os preços do petróleo passaram dos US$ 140, em 2008, as causas estavam mais ligadas ao equilíbrio da oferta e da demanda: não havia praticamente capacidade sobressalente de produção em nenhuma parte do mundo, de modo que todas as interrupções no fornecimento, como a ocorrência de furacões no Golfo do México e ataques rotineiros de rebeldes a instalações petrolíferas na Nigéria, provocaram altas nos preços.

Observadores que estão prevendo um repique nos preços vêm apontando para uma queda na exploração mundial de petróleo e na produção, alegando que quando a economia mundial se recuperar, haverá falta de petróleo. Nos EUA, por exemplo, a exploração caiu 27,8% em relação há um ano, com 309 plataformas perfurando ativamente, comparado a 428 a esta altura do ano passado, segundo a Baker Hughes Rig Count. Fora dos EUA, há 8% menos plataformas produzindo do que há um ano - 764 contra 831.

Grandes companhias de petróleo como a ExxonMobil, Chevron e BP continuam investindo em exploração, enquanto companhias menores reduziram substancialmente esses gastos. Mas isso é apenas parte do quadro, segundo analistas. Para começar, a capacidade sobressalente de produção está atualmente em cerca de 6,7 milhões de barris/dia, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), com a Arábia Saudita respondendo por 3,8 milhões de barris, ou 56% do total.

Além disso, tanques de armazenamento de petróleo de todas as partes do mundo estão cheios e teriam que ser esvaziados antes de qualquer grande repique nos preços. Os estoques de petróleo bruto dos EUA estão em 339 milhões de barris, um aumento de 27,7% sobre o ano passado, segundo a U.S. Energy Information Administration. Além disso, desde a metade de setembro a Reserva Estratégica de Petróleo supera os 725 milhões de barris, um recorde
de 27 anos.

Na verdade, o excesso da produção mundial é tamanho que quase não há lugar para armazenar todo o petróleo produzido. Estimados 125 milhões de barris estão flutuando pelo mundo em navios petroleiros, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Normalmente, um volume desprezível de petróleo é armazenado em navios. As refinarias também podem aumentar a produção de produtos derivados do petróleo, segundo analistas. As refinarias americanas estão operando com cerca de 80% da capacidade, uma das taxas mais baixas em duas décadas. "Os estoques elevados e os fundamentos de mercado fracos poderão pesar sobre os mercados em algum momento" e derrubar os preços, afirma Edward Morse, diretor-gerente da Louis Capital Markets, uma corretora de Londres. Portanto, é possível que o petróleo bruto não seja um porto seguro afinal.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Queda do dólar: malefícios e benefícios para o Brasil

(Rivane Barreto)


Nos ultimos tempos, mas especificamente após o inicio da crise entre 2008 e 2009 o dólar vem apresentando uma considerávl queda. Essa queda, porém pode trazer tanto beneficios como maleficios, dependendo do refrencial que adotamos.

Do ponto de vista da população como um todo, a queda do dólar é muito benéfica se partimos do princípio que o aumento do poder de consumo de produtos importados aumenta muito, podemos citar como exemplo a compra de carros importados que sem dúvida alguma torna-se muito mais viável para alguns, pois obviamente importar torna-se muito mais barato.

Porém se analisarmos o lado de quem produz e de quem exporta, essa queda pode ser um pouco maléfica, pois como já dito antriormente produtos importados ficam mais baratos o que torna um tanto quanto difícil a competição dos produtos nacionais com estes, bem como exportar torna-se também mais caro.

Como em todas as ocasiãos é preciso verificar os dois lados: o quanto bom a queda dolár e em qual proporção essa queda não vai dificultar as indústrias nacionais, visto que para os consumidores a queda do dólar será sempre um benefio, tendo em vista o aumento do seu poder de compra.