(Marcelo Barbosa)
Enquanto isso nossa preocupação com o andar da carruagem econômica vai ficando muito mais oscilante, ainda mais quando se aproxima o período das eleições. As declarações dos candidatos à sucessão presidencial têm um poder bombástico sobre o quotidiano da política econômica brasileira. Afinal a atual política econômica é fundamentada basicamente em três pontos: nas metas de inflação, no câmbio flutuante e na autonomia do Banco Central (política de juros).
As metas de inflação são, parodiando o Magri, “imexíveis”. Quanto ao câmbio, um dólar baixo gera fenômenos interessantes, por um lado reduz a inflação e aumenta a capacidade de compra da população. Por outro lado, diminui a capacidade de competição dos produtos exportados e aumenta o nível das importações. Também é fato que passamos por diversas experiências ao longo dos anos do Brasil democrático que mexeram nesta política e que não foram muito felizes. Aprendemos que em time que está ganhando não se deve mexer, portanto, não devemos esperar nada novo neste campo pelos futuros candidatos.
No campo da autonomia do Banco Central, que responde pelas movimentações da taxa de juros, é fundamental que o BC possa responder rapidamente à realidade econômica, que vira e volta, vai do céu ao inferno num piscar de olhos. Porém, apesar do discurso quase uníssono do governo e da oposição a favor da independência do BC, não irá passar de bravatas de discurso esta proposta. Entra e sai eleição e nem oposição e nem governo propõem a real independência do BC de forma constitucional. Falta evidente coragem política.
Bom, então como ficamos? Os políticos ainda terão de responder aos questionamentos e insatisfações a respeito da perda de competitividade externa. Então como fazê-lo sem mudar nada?
Segundo as discussões levantadas o foco será em torno da derrubada de juros através do corte dos gastos públicos, reduzindo a demanda agregada para neutralizar possíveis pressões inflacionárias que coloquem as metas de inflação em risco. Porém, gastos públicos são fundamentais para quem pretende crescer à uma taxa real equilibrada nos próximos anos, além disso, tais gastos permitiram que uma parcela considerável da população fosse agregado ao mercado consumidor e que acabou segurando o consumo interno no período de crise.
Os mecanismos econômicos usados não são automáticos, mexer em algo neste momento produzirá reflexos depois. Então temos um paradoxo para as próximas eleições entre manter a atual política econômica, garantir competitividade nas exportações, e entre cortar os gastos públicos e ao mesmo tempo garantir os investimentos em infra-estrutura e os gastos em políticas sociais.
Então não devemos nos impressionar com os discursos eleitorais, a tendência é que “tudo fique como antes no quartel de Abrantes”.