sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Globalização financeira: oportunidades e ameaças

(Daniele Gaspar)

É fato que estamos vivendo um processo de globalização financeira. Isso porque, nas últimas décadas, tivemos um avanço extraordinário da tecnologia combinado com a desregulamentação institucional de mercados. O que tornou o acesso à internet, a partir de aparelhos portáteis, uma realidade acessível a muitos de nós residentes de países emergentes. Por outro lado, permitiu a maior integração entre os sistemas financeiros de vários países, pois temos informações e oportunidades de realizar transações em qualquer parte do mundo em tempo real.

Temos assim a ocorrência de grandes fluxos de capital, migrando a todo segundo em busca de melhores remunerações. Além do que, há de se ressaltar que estamos vivendo um momento de muita liquidez (poupança) no mercado global. Com isso há muito dinheiro à procura de novos investimentos, sejam eles em seu próprio país, sejam eles em países nunca antes visitados. E dependendo da ótica do avaliador, esse fenômeno da globalização financeira apresenta aspectos positivos e negativos.

Por exemplo: a maior oferta de capital disponível aos países emergentes gera disponibilidade de recursos para o crescimento econômico e maior facilidade de financiamento de déficits fiscais, já que os governos deixam de depender apenas dos mercados domésticos. Porém esta mesma facilidade torna-se um risco devido à rapidez e à volatilidade deste capital, que a qualquer momento pode deixar um rombo na economia.

Outra conseqüência da globalização financeira é a falsa replicação de capitais sobre um único capital através de um sistema financeiro criado em formato de uma pirâmide, chamada de formação de bolhas financeiras. Que pode levar a uma sensação de crescimento patrimonial dos membros da pirâmide e um consequente aumento do consumo, assim comprometendo os credores em um investimento de risco, sem garantia de liquidez, acarretando a inflação de ativos. Este problema se agrava quando um dos membros dessa cadeia necessita liquidar o empréstimo e os outros membros abaixo de si não pagam o empréstimo. Esta situação gera estragos macroeconômicos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dólar em Queda – Exportações e Importações.

(Marcos Mesquita)

De acordo com a Lei da Escassez, quanto mais escasso o bem, maior será o seu valor, e o inverso também é verdadeiro, quanto mais abundante a oferta deste bem, menor será o seu preço. E isso é o que está acontecendo com o dólar, principalmente decorrente da massiva entrada desta moeda na Bovespa, em busca de melhores remunerações.
E o que acontece quando falamos de Exportações e Importações? Com a maior oferta de dólares na economia, o real se torna mais valorizado em relação ao dólar, com esta valorização, todo produto brasileiro comercializado no mercado internacional (em dólar), fica mais “caro”, vejamos a dinâmica do processo:
1) Digamos que um produto fosse vendido a R$ 10,00, em valores nacionais, no mercado externo;
2) Com o dólar, suponhamos com a taxa de câmbio em R$ 2,00, este produto custaria no mercado externo US$ 5,00 (cinco dólares), ou seja, dez reais divididos por dois (taxa) resultaria em cinco dólares;
3) Agora, se essa taxa de câmbio fosse alterada para R$ 1,00, o valor deste mesmo produto no mercado externo seria US$ 10,00 (dez dólares);
4) Resultado, o produto se torna muito mais caro, e com isso perde em competitividade.
Por isso, vários setores da economia, como o de têxteis e confecções, são prejudicados por não colocarem, devido à taxa de câmbio, seus produtos em condições de competição, fazendo com que percam em vendas, ou receitas.
Contudo, há alguns setores que ganham com este nível de taxa de câmbio, principalmente os que necessitam de bens de capital, para, por exemplo, abrir uma indústria ou ainda modernizar seu parque industrial. E ainda aqueles que vivem do comércio de bens de alta tecnologia, que podem comprar por um preço bem menor, tornando estes produtos mais acessíveis.
Agora, podemos concluir que, para a população em geral, esta “baixa” na cotação do dólar é benéfica, pois com o barateamento dos produtos importados, esta população possui maior chance de ter acesso a estes produtos, fazendo com que possa optar entre o produto nacional e o produto importado. O que força a indústria nacional a baixar os seus preços devido à concorrência, o que aumenta ainda mais o acesso desta população a mais produtos. Além de que viajar ao exterior se torna mais acessível também.

Defesa do Brasil frente ao dólar

(Danilo Vairo)

O dólar é a moeda estrangeira usada para avaliações de investimento, mensuração de preço dos produtos em todo mundo, etc. Porém essa realidade está para mudar, pois esta moeda está cada vez mais fraca. E o que os EUA pretendem fazer para mudar esta realidade? Nada. E o Brasil para não perder mercado para os produtos americanos e impedir a excessiva entrada de dólares no país? IOF sobre o ingresso de capitais estrangeiros visando não só coibir a especulação e conter a valorização excessiva do real em relação ao dólar, mas também aumentar a arrecadação.

Quando uma moeda de um país se torna mais fraca os produtos fabricados por exportadores deste país entra no mercado com um preço muito mais competitivo no mercado exterior. Por exemplo, quando o dólar estava com a cotação de 3 reais, os produtos brasileiros que tinham um custo de 50 reais entravam no mercado americano com um preço de 17 dólares. Agora, com a cotação prevista para acontecer de 1,50 reais, esse mesmo produto entra no mercado americano com um preço de 33 dólares. Ou seja, o preço para o americano estará muito mais caro na segunda hipótese vislumbrando um decréscimo no número de vendas dos produtos brasileiros.

A defesa brasileira é bastante fraca, pois há caminhos para burlá-la facilmente. Por exemplo, os países poderão deixar de comprar ações na Bovespa e operar exclusivamente na Bolsa de Nova York, onde muitas empresas brasileiras já negociam seus papéis. Há também a preocupação de que as empresas façam novas emissões de ações somente no exterior, penalizando a bolsa brasileira. Isso é extremamente ruim para o país, pois sua liquidez fica danificada prejudicando negociações brasileiras, algo fundamental para o aprimoramento do mercado de capitais no país.

A experiência mostra que a liquidez de um mercado financeiro é arduamente conquistada, facilmente perdida e dificilmente reconquistada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A baixa do dólar e suas consequências

(Daniele Gaspar)

Com a crise financeira que se iniciou no final de 2008 e a atual política de juro zero, a economia dos Estados Unidos vem decaindo e sua moeda, o dólar, tem sofrido desvalorização em relação às outras moedas. E assim em meio a esta crise países emergentes como Brasil e China têm se tornado economias sólidas e atraentes para os recursos internacionais. Neste último trimestre a China teve o crescimento do seu PIB em 8,9%. No Brasil, estimativas apontam para um crescimento superior a 5% em 2010. (Veja, 28/10/09)

Porém uma entrada exagerada de dólares em nossa economia não é algo positivo. Pois, valoriza o real e desta forma gera uma situação propícia à formação de bolhas financeiras, e também desfavorável ao exportador. Na primeira situação, se o país não tiver uma política econômica conservadora, controlando a concessão de crédito, teremos a especulação do capital e uma conseqüente quebra do sistema bancário. Já na segunda situação teremos o produto que é exportado chegando sem condições de competição com o produto concorrente.

Tendo em vista a valorização excessiva do real, o governo brasileiro decidiu instituir uma nova tributação sobre a entrada indireta de capitais estrangeiros. Esta medida visa coibir a especulação, conter a valorização excessiva do real em relação ao dólar e aumentar a arrecadação. Agora as aplicações de investidores estrangeiros em ações, títulos públicos e privados passaram a pagar 2% de IOF (imposto sobre operações financeiras).

domingo, 25 de outubro de 2009

Globalização Financeira

(Rivane Barreto)
Como já diz o velho e conhecido ditado popular: "É impossível agradar a gregos e troianos". O assunto Globalização não difere muito deste dizer. Tem pessoas que defendem, há aqueles que a condenam, bem como outros que consideram alguns pontos como positivos e outros negativos nesta questão.
Mas, independentemente da opinião que acreditamos, não podemos negar o fato de que a tendência desse sistema é aumentar cada vez mais.
Ao meu ver, a Globalização Financeira traz muito mais benefícios que malefícios para a economia mundial, tanto para as grandes potências como também para os países emergentes em desenvolvimento.
Países ecomicamente mais fortes, como é o caso do Estados Unidos, assumem o papel de investidores, investindo de forma direta ou financeira em países que de possuem algum tipo de riqueza ou atrativo e não são economicamente estáveis para se autodesenvolverem.
Para muitos esta intervenção de capital internacional em um dado país pode parecer maléfica para aquele que possuir um poder econômico menor que acaba perdendo sua identidade, na opinião dos mesmos. Porém eu vejo isso como uma forma de icentivo para estas economias, pois sem o capital estrageiro seria muito díficil, se não quase impossível para alguns sobreviverem.
O cuidado que esses países emergêntes têm que tomar é saber medir quando e em qual proporção é interessante para o seu desenvolvimento abrir seus mercados para investimentos estrangeiros de forma que não voltemos a época das "colônias", com o dominínio e total dependência das "metrópolis".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dólar a R$ 1,50 ?

(Jornal do Commercio de 9 de Outubro de 2009)
por : Ricardo Leopoldo
O diretor estrategista da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações, afirmou que, se for mantido o atual ritmo de ingresso de capitais no País nos próximos trimestres, será inevitável que o real continue se valorizando com vigor em relação ao dólar, a ponto de, tudo o mais constante, chegar à cotação média de R$ 1,60 em 2010. Ele avalia ser bastante viável que o dólar atinja R$ 1,50 em alguns momentos do próximo ano.

Em função do forte ingresso de recursos do exterior, reflexo da tendência estrutural de depreciação da moeda norte-americana, o especialista acredita que o Banco Central aumentará o volume de reservas cambiais dos atuais US$ 225 bilhões para US$ 270 bilhões no próximo ano.

Ainda segindo a avaliação de Mendonça de Barros, está “absolutamente abalada” a força da divisa dos Estados Unidos como moeda de reserva global. “A atual crise mundial apenas catalisou um processo de reconhecimento internacional de que o dólar não tem mais credibilidade para ser a moeda do mundo”, disse ele. Segundo o ex-ministro, o “credit crunch” mostrou que a economia norte-americana tem problemas sérios e não é inabalável.

Para evitar que o sistema financeiro doméstico entrasse em risco sistêmico, o governo norteamericano injetou alguns trilhões de dólares na economia, o que deve elevar o déficit público neste ano para um patamar próximo a 11% do PIB. Segundo o ex-ministro, como o dólar está sendo questionado como o principal pilar monetário global, a apreciação do câmbio aqui deve se intensificar, porque investidores estão confiantes em que as perspectivas para o real e para a economia brasileira nos próximos dez anos são bem mais favoráveis, em termos relativos, do que para a divisa norte-americana e para os EUA.

Mendonça de Barros reconhece que “a valorização do real ante o dólar é um problema que prejudica a indústria nacional”. “Hoje, as importações de automóveis do Brasil são maiores do que as exportações de veículos”, comentou.

Para atenuar os efeitos negativos da apreciação do câmbio, ele acredita que o Banco Central continuará a comprar dólares com intensidade por um bom período. De acordo com o ex-ministro, a tendência de apreciação do câmbio no próximo ano deve se acentuar, sobretudo porque o diferencial de juros entre Brasil e EUA também deve crescer. A taxa atual de juros no país norte-americano oscila entre 0% e 0,25%.

Para o JP Morgan, este patamar deve ser mantido até dezembro do próximo ano. Por outro lado, Mendonça de Barros acredita que o robusto crescimento do nível de atividade no Brasil deverá levar o Banco Central a elevar a Selic a partir do primeiro trimestre do ano que vem. “Acho que o BC aumentará os juros em 400 pontos-base no ano que vem. O Copom deve começar com uma alta de 50 pontos-base e chega no final desse movimento a uma subida mais forte, de 100 pontos-base”, afirmou. Assim, num horizonte de 14 meses, a Selic saltaria dos atuais 8,75% ao ano para 12,75%.

Devido ao que chama de “definitiva” perda de confiança de investidores em relação ao dólar, o ex-ministro diz ser inevitável também que os países membros da Opep substituam em algum momento o dólar como padrão monetário que baliza a cotação do barril de petróleo, tal como foi abordado no último dia 6 pelo jornalista britânico Robert Fisk no jornal The Independent – segundo a reportagem, os países exportadores da commodity já começam a se articular com nações emergentes, como China, Rússia e Brasil, para adotar uma cesta de moedas, da qual faria parte euro, iene, yuan e ouro.

“Isso deve acontecer sim”, concorda Mendonça de Barros. “Os países que produzem petróleo não querem que seu ativo esteja atrelado a uma moeda que está perdendo a força de vez”, disse. Para o ex-ministro, o ocaso do dólar é um processo semelhante ao que ocorreu no interregno da Libra do Reino Unido entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Depois do primeiro conflito, que durou de 1914 a 1918, a decadência econômica britânica viabilizou a ascensão da divisa norte-americana. Com a vitória dos aliados sobre as tropas alemãs em 1945, os EUA assumiram o papel de líder global e passaram a determinar os movimentos monetários do mundo.

Como acredita que o dólar dos EUA “não se recuperará nunca mais”, até porque não interessa a valorização da moeda pelo seu próprio governo, já que precisa da divisa mais fraca para exportar mais, Mendonça de Barros acredita que o Banco Central do Brasil deveria abandonar “assim que possível” a vinculação direta do real ao dólar para operações de comércio exterior e que envolvem ativos financeiros. “Na atual conjuntura, é melhor estar atrelado a uma cesta de moedas, que incluiria o euro, iene, yuan e o dólar também. Enfim, um conjunto de divisas que pondere a nossa relação (comercial e financeira) com o mundo”, disse ele.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Globalização Financeira

(Douglas Lugli)
Atualmente, participar de um investimento, ou até mesmo negociar participações de uma determinada empresa no mercado financeiro do Japão já não parece coisa do outro mundo e impossível de ser realizada sem ao menos uma viagem ao país.

Vivemos a globalização financeira, na qual é possível fazer operações financeiras em qualquer praça do mundo, devido ào amplo processo de liberalização e também devido às inovações tecnológicas no campo do processamento e da transmissão da informação, mesmo estando a quilômetros de distância de onde está fisicamente o dinheiro, o investimento, ou a empresa envolvida na operação.

O chamado mercado de dinheiro busca as melhores remunerações, independente de onde elas possam estar localizadas, foi assim no caso dos “eurodólares’’ e dos “petrodólares’’, tudo isso acompanhado de uma liberalização dos depósitos internacionais, junto com uma desregulamentação financeira, na qual o dólar é a moeda utilizada nas transações mundiais.

O fluxo de capitais nessa realidade de globalização financeira alcança uma expansão muita rápida, que não é acompanhada por outros indicadores da economia, como crescimento do PIB, ou até mesmo das transações comerciais dos países.

A economia americana mostrou-se como o grande destino buscado por investidores mundiais, essa entrada de capitais excedentes de outros países, proporcionou aos EUA um grande financiamento de sua economia com grande disponibilidade de capitais. Isso pode ser apontado como fator de sustentabilidade do crescimento econômico norte americano, mesmo este apresentando déficit comercial ao longo dos anos.

Entretanto a globalização financeira tem também o outro lado, como ocorreu durante a crise financeira do ano passado. Os problemas apresentados no mercado americano contaminaram toda a economia financeira mundial, gerando grandes perdas e falências de instituições que antes apresentavam ótimos resultados, ou seja, por todas as praças de mercados estarem conectadas, quando alguém não esta com sua saúde financeira boa, e no caso da crise de 2008 aconteceu com a maior economia de todas, os EUA, as suas conseqüências foram sentidas por todos.

Acredito que a globalização financeira é muito mais benéfica para todas as nações do que prejudicial, ela gera oportunidades para que mercados emergentes, como é o caso do brasileiro, sejam vistos como grande possibilidade para escoamento dos investimentos mundiais, penso também que cada vez mais o capital mundial buscara alternativas melhores de rendimentos e com o passar dos anos a economia americana perdera o posto de maior destino desse fluxo de capitais.

domingo, 18 de outubro de 2009

Globalização da Economia

(Danilo Vairo)

A globalização da economia é a “quebra de fronteiras” dos mercados internacionais. Com isso, todos os países conseguem interagir em tempo real fazendo crescer o acirramento das competições por conquistas de mercados ainda não explorados, se é que ainda existem tais mercados. Esse processo de internacionalização econômica se iniciou com a expansão do comércio de mercadorias, passou pela expansão dos empréstimos e financiamentos, e também pelo desenvolvimento de multinacionais.

O grande avanço da globalização nos últimos tempos deveu-se, em grande medida, ao avanço da tecnologia, que permite que esse processo aconteça de forma mais acelerada, pois contribui com sua capacidade de processamento de dados e informações, constituindo uma grande massa de conhecimento impulsionando o processo. Lembrando a velha metáfora utilizada no nosso dia-a-dia, “duas cabeças pensam melhor que uma”. Imagine então todos os países interagindo juntos.

Não só tecnologia e globalização interagem nesse processo, mas também muitos outros fatores, como deslocamento espacial das diferentes etapas do processo produtivo integrando vantagens comparativas nacionais diferentes, simplificação do trabalho permitindo o deslocamento espacial da mão de obra, igualdade de padrões de consumo permitindo aumento de escala, mobilidade externa de capitais buscando rentabilidade máxima e curto prazo e difusão (embora desigual) dos preços e padrões de gestão e produção, mantendo, porém, diferenças de condições produtivas que são aproveitadas no deslocamento da produção.

É fato que o acirramento da concorrência influi, por exemplo, na queda dos preços, o que funcionou positivamente nos programas de estabilização mais recentes, como o brasileiro. É fato, também, que a qualidade dos produtos cresce, assim como o desenvolvimento tecnológico é estimulado. Mas a liberalização econômica em escala mundial teve também consequências danosas, que sugerem a necessidade de retorno à regulamentação estatal. Por exemplo, a intensificação dos processos de concentração, polarização e marginalização, que ampliam o caráter excludente do capitalismo e o aumento da volatilidade dos capitais, da instabilidade financeira e do caráter fictício do capital, que colocam em risco o próprio andamento das economias a médio e longo prazo.

Podemos perceber que a globalização consegue equilibrar um pouco a desigualdade entre os países, dando oportunidades a todos. Mas ela também cria especializações de países, as quais podem ser boas ou ruins, pois você tem seu mercado certo, visto que pode exportar seu produto com o melhor preço e qualidade, porém cria dependência de ter que importar o que o país não pode fazer.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Globalização inevitável

(Gabriel Trovão)

Desde o fim do século XX, o tema da globalização tem sido bastante debatida, sobre o que de fato ela significa, e não apenas no plano etimológico, mas sobretudo seu impacto sobre um futuro onde cada vez mais a interação de pessoas, mercados e culturas aumentam desenfreadamente. Esse processo não é novidade na história, vide as diversas expansões européias e períodos posteriores, onde os fluxos de mercadorias eram tão intensos que víamos moedas tendo o ouro como referência em qualquer lugar. Inevitavelmente, o tópico sobre o fluxo de capitais sofreu forte atualização no seu comportamento, dado o aumento dos vários tipos de como estes serão aplicados, pois se antes as mercadorias eram o principal foco, hoje fundos de investimentos possuem um foco moderno.

Esse chamado “mundo globalizado”, possui um grande fluxo de informações, onde em questões de minutos, noticias correm o mundo. A grande relevância disso para a globalização financeira pode ser entendida como o fato de que gradualmente os países tentam se relacionar, expandindo relações econômicas, ao invés de se fecharem uns contra os outros (fato visto nos períodos das grandes guerras e seus intervalos, onde resultaram em crises econômicas); e sem dúvida, expor o melhor de si, transmitirá maior confiança para atrair investidores internacionais. Essa boa imagem tem benefícios mútuos, se de fato for verídica. Se por um lado investidores são atraídos a projetos com bom retorno, e de risco menor, provavelmente esses terão seu lucro garantido, enquanto os que receberão os investimentos terão seus projetos financiados por capitais externos.

As oportunidades fazem com que nesse mundo, que apresenta muitas poupanças acumuladas, os investidores busquem onde investir, dada uma suposta super liquidez, e diversifiquem suas carteiras. Sendo que nessa incessante busca por qual seria o melhor local para se investir, possam resultar em especulações “desastrosas” sobre determinados setores, criando as “bolhas” econômicas. Esse seria, então, o lado ruim sobre essa globalização financeira, não o único, contudo um lado deve ser observado com muita cautela.

Como reflexo da integração gerada pela globalização financeira, o fluxo de capital não é o único fator a ser levado em consideração. Os modelos de gestão e de administração financeiras, como demonstrativos e técnicas, tendem a se tornar comum a todos. Pois, se todos os países resolverem utilizar somente o seu modelo, o mundo seria uma Torre de Babel.

Deve haver certo limite, bem como todo jogo, ter sua regra. Regras que também consigam controlar uma fronteira de entrada de empresas multinacionais, que descaracterizem o país. Uma vez que estas ganhariam facilmente a concorrência sobre empresas não tão fortes de países em desenvolvimento, ou até mesmo desenvolvidos não tão fortes economicamente. Afinal, umas das grandes críticas ao processo de globalização, seria o fato de “tornar o mundo uma coisa só”; falar a mesma língua não significa jogar a sua identidade fora.

A globalização é um processo inevitável e recorrente na historia. Aprender como este processo beneficiará todos, é o desafio.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Globalização

(Marcos Mesquita)

A globalização é um fato em praticamente todos os setores da economia, dado o fluxo mundial de ativos financeiros, de mercadorias, moedas e derivativos dos mais variados tipos, por onde passam enormes quantias de dinheiro. Com isso, digo que a globalização certamente é um benefício, contudo, não afirmo categoricamente que é 100% benéfica, mas, no contexto geral, certamente aumenta a chance de se ter um retorno maior, devido à magnitude de oportunidades que surgem ao redor do mundo.

Além do que foi acima exposto, vejamos outros pontos aonde podemos alicerçar este ponto-de-vista. A economia mundial, já há algum tempo, vem acumulando poupança, tanto a nível pessoa física, como pessoa jurídica. E esta poupança acumulada, tende eternamente a buscar novas formas alternativas para maximizar o retorno, ou pelo menos, valorizar estes ativos de maneira que não percam seu valor, por ficarem estáticos no tempo. Com isso, há um “search” voraz, diário, em busca das opções de investimento, seja em uma aplicação em Hong Kong, ou a compra de ativos de algum empreendimento imobiliário em lugares não comuns, espalhados pelo planeta.

Um segundo ponto também nos chama a atenção, quando da movimentação internacional de capitais em busca das melhores opções de investimento, países, ou praças que antes não possuíam capital disponível para efetuar investimentos, hoje também já possuem uma infinidade de possibilidades de financiar seus empreendimentos, devido à esta poupança acumulada mundialmente. Por isso, vemos hoje países que oferecem uma remuneração mínima superior às oferecidas pelos países desenvolvidos, convergindo grandes somas de capital (o Brasil é um bom exemplo) para suas operações internas, impulsionando toda a economia interna destes países, fazendo rolar uma bola de neve econômica, aumentado a participação destes países no cenário econômico mundial.

Isto é, a globalização no seu teor, pode ser entendida sim como um benefício, como uma oportunidade, mas, contudo, olhando “o outro lado da moeda”, vemos uma avassaladora investida das empresas multinacionais em busca de mercados "nunca dantes navegados”, o que, em certos países, devido, na maioria dos casos, ao seu poderio econômico frente às empresas locais, acabam por disseminar uma onda de fechamentos das empresas concorrentes locais, por conseqüência da impossibilidade de se manterem economicamente viáveis, frente à concorrência externa. Isto para citar apenas um dentre outros motivos que poderiam servir para inspirar uma visão “maléfica” do processo da globalização.

Enfim, diante do exposto, além de apresentar novas oportunidades, como podemos ver pela evolução dos fatos recentes, também devemos considerar que se trata de um movimento sem retorno, pois a economia global cada vez mais irá guiar-se no sentido de uma unidade mundial, como vemos hoje a Europa com o Euro, e ainda outras dinâmicas de convergência econômica, o que, ao meu ver, depois de alguns anos e depois de vencidos algumas diferenças culturais, poderá se disseminar em dimensão planetária, Esta tendência, diante da velocidade dos acontecimentos atuais, provavelmente não levará muito tempo para se consolidar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

da internacionalização de portfólios à globalização financeira

Observamos atualmente um período marcado por intensa globalização financeira, no qual a economia mundial passa a contar com mercados financeiros maiores, mais capitalizados, mais diversificados, mais interdependentes, com circulação mais livre e ampliada e também mais rápida, em função das inovações na área da tecnologia de informação associada às telecomunicações.

A tendência contemporânea de globalização dos mercados financeiros parece aprofundar o movimento de internacionalização financeira registrado desde a segunda metade do século 19, aprofundando-se ao longo da segunda metade do século 20. Ambos os períodos foram marcados por movimentos de forte crescimento econômico e de forte desregulamentação institucional. A partir de 1990, essas tendências foram acentuadas por uma nova onda desregulamentação, ampliando as possibilidades de investimento e de financiamento, e ampliando a liquidez geral dos mercados. Todo esse processo barateou o custo geral capital, como demonstram os níveis permanentemente baixos das taxas de juros nas principais praças financeiras, trazendo efeitos positivos tanto para o financiamento do comércio exterior como para a onda de rápidas capitalizações, fusões e aquisições.

Essa longa marcha da internacionalização dos “portfólios” é retomada gradualmente após o final da segunda guerra mundial, depois de quase duas décadas de paralisia. O primeiro segmento do mercado financeiro a voltar a se abrir internacionalmente foi o chamado mercado de dinheiro (de depósitos), onde investidores de outros países começaram a buscar remunerações de juros compensadores em diferentes praças financeiras. Curiosamente, esta primeira liberalização de depósitos efetuados por estrangeiros foi estabelecida durante a Guerra Fria e por demanda justamente da União Soviética. Em 1958, as reservas internacionais acumuladas em dollar americano pela União Soviética e os demais países socialistas do leste europeu (em virtude da remuneração de suas exportações), necessitavam serem depositadas em algum banco do Ocidente, de preferência, compreensivelmente, fora dos EUA. Assim, os banqueiros da City de Londres permitiram a abertura de contas em dólares nas agências bancárias inglesas, para que os depósitos dos países socialistas fossem ali efetuados. Esse procedimento extraordinário logo se tornou comum e se disseminou pelas praças bancárias européias, se abrindo a outros investidores.

Esta primeira onda moderna de “internacionalização dos portfólios” foi caracterizada pela emissão dos chamados “eurodólares”. São eles os dólares americanos depositados diretamente em países europeus, em contas abertas e remuneradas em dólares, sem a necessidade da conversão cambial. A massa monetária em dólares gerada pelos bancos comerciais europeus era classificada como “eurodólar”. A taxa de juros oferecida aos depósitos bancários em dólar, devido ao fato de serem sempre depósitos a prazo (de pelo menos um dia “overnight”, mas, em geral, de três meses), teria que ser de tipo flutuante, vigente no dia do vencimento. Assim, em Londres (que até hoje representa cerca de um terço das transações com “eurodólares”) foi criada a LIBOR, taxa de juros interbancária da praça financeira de Londres.

A segunda fase da internacionalização dos mercados financeiros foi caracterizada pelo surgimento dos chamados “petrodólares”. Durante os anos 1970, esta liberalização de depósitos internacionais se popularizou ainda mais, estimulados pela massiva entrada de recursos gerados pelos excedentes petroleiros, provenientes dos países do Oriente Médio, os “petrodólares”, que procuravam remuneração, liquidez e segurança das casas bancárias européias. Já no final desta década de 1970, e diante da 2ª crise do petróleo de 1979, inicia-se um processo de liberalização das economias industrializadas, sobretudo a partir das administrações Reagan e Tatcher. Os mercados financeiros desses países passam por um processo de abertura, liberalização, privatização e desregulamentação. É também um momento de significativa elevação dos juros, como resultado das políticas monetárias restritivas. Com isso, os fluxos internacionais de capital serão bastante estimulados, especialmente os depósitos bancários internacionais efetuados em dollar, o principal meio de pagamento internacional. No ano de 1983, pela primeira vez, os investimentos em títulos (bônus e ações) ultrapassam os depósitos bancários.

A fase contemporânea de globalização de portfólios poderia perfeitamente ser classificada como a terceira onda desse processo de internacionalização dos mercados financeiros. Entretanto, esta fase apresenta características que poderiam constituir uma mudança qualitativa no processo, impulsionada,
(a) pelo forte crescimento americano nos 1990;
(b) pelas inovações tecnológicas no campo do processamento e da transmissão da informação;
(c) pelas inovações dos produtos financeiros oferecidos (derivativos, securitização, euromercados, mercados futuros);
(d) pelo aprofundamento da liberalização e desregulamentação dos mercados, especialmente nas Bolsas de Valores e nos mercados de divisas.

Assim, estes mercados financeiros se tornam cada vez mais competitivos, fazendo circular cada vez mais rapidamente, capitais mais livres e mais abundantes. Rápido processo de “internacionalização dos portfolios” a partir do começo dos anos 1990. A carteira de investimento dos fundos de pensão americanos passa a ser composta por 10% de títulos estrangeiros, 20% nos fundos britânicos e 9% dos fundos japoneses (partindo de praticamente zero nos 1980).

A evolução recente é marcada pela demanda americana por financiamento, o que contribui para a tendência de internacionalização financeira. A economia americana apresenta déficits comerciais crescentes desde 1992. É um período de crescimento constante, dólar desvalorizado, níveis elevados de consumo e de investimento, baixa taxa de poupança interna, fatores que resultam em demanda externa aquecida. Ao mesmo tempo, União Européia e Japão são excedentários, em função do baixo nível de consumo e de investimento. O déficit comercial americano acaba financiado pela entrada de capitais destinados aos mercados financeiros e aos investimentos em carteira, especialmente mercado de ações e bônus do tesouro americano.

Parcela considerável dos fluxos internacionais de capital se direciona, atualmente, aos mercados americanos, sobretudo para aplicação em títulos do governo e em ações. Esta dinâmica contribui para manter o dollar americano numa situação de permanente valorização, indicador flagrante dessa tendência. A entrada de investimentos financeiros nos EUA, durante os anos recordes de 1996 e 1997, superou o total investido nos dez anos anteriores (entre 1985 e 1994). A entrada anual de investimentos estrangeiros nas bolsas americanas representa um montante equivalente a cerca de 7% do PNB americano, Bolsas estas que acumulam recursos equivalentes a 105% do PNB americano. As estimativas para o ano de 1999 apontam para valores equivalentes a 130%. Grande parte destes investimentos é destinada aos “mutual funds” (os fundos mútuos são “condomínios de investidores”), que atualmente acumulam investimentos de cerca de 2 trilhões de USD, cerca de 20% dos capitais acionários dos EUA. Os mercados financeiros dos EUA desempenham atualmente o papel de intermediário global: atrai o capital privado internacional e depois o reinveste em mercados menos líquidos mas, mais remuneradores, ao redor do mundo. A situação generalizada de juros internacionais baixos (sobretudo na Europa e Japão), variando entre 2 e 4% ao ano, caracterizando-se assim um panorama de compressão global das taxas de juros, facilitou a tendência de fluxos massivos de capitais para os EUA e também, em menor escala, para os mercados emergentes.

A abertura de novos mercados também contribui para a ampliação do circuito de circulação internacional dos fluxos financeiros. Esses chamados mercados emergentes, oferecem novas alternativas de investimento e remuneração, integrando economias periféricas nos circuitos financeiros globais. Entretanto, é preciso lembrar que apenas um número bastante limitado de países, da América Latina e da Ásia, concentra a grande maioria destes investimentos. E mesmo assim, apenas cerca de 1% dos capitais privados globais se destinam a estes mercados emergentes (que dobraram entre 1992 e 1996 e triplicaram entre 1992 e 97). As transações totais anuais em títulos de emergentes chegaram a movimentar 5 trilhões USD em 1996 e o total da capitalização nestes mercados chegou a 400 bilhões de USD em 1997, auge dos investimentos financeiros nos mercados emergentes.

Além disso, também se verifica o processo de “financeirização das empresas”, onde se multiplica a oferta de financiamento para projetos corporativos e, ao mesmo tempo, a poupança em poder das grandes empresas busca formas constantes de valorização. Essa grande quantidade de capitais corporativos a procura de valorização passa a participar mais diretamente dos mercados financeiros, fazendo com que uma considerável fatia da poupança corporativa seja aplicada financeiramente. Empresas transnacionais passam a atuar como agentes financiadores, com atuação direta ou indireta no mercado financeiro. Nesses casos, a gestão de tesouraria (especialmente a gestão de "portfólios") passa a ser tão importante como a gestão da atividade-fim da empresa. Ao mesmo tempo, no sentido inverso, recursos financeiros, especialmente aqueles oriundos de investidores institucionais, como fundos de pensão e fundos de investimento, passam a ser aplicados em empresas como alternativa de remuneração, como estratégia de diversificação de "portfólios".

Este panorama de globalização financeira se expressa numa situação atual de grande expansão dos fluxos de capitais. O fluxo total de empréstimos mais investimento financeiro: 400 bilhões USD em 1987 para 1.600 bilhões USD em 1996, com crescimento anual variando entre 15 e 20%. Todos os indicadores foram multiplicados por 10 entre a metade dos 1980 e a metade dos 1990 (enquanto o PIB se multiplicou por 2 e o comércio se multiplicou por 3).

Alguns indicadores demonstram essa forte expansão. O mercado de câmbio, a circulação diária passa de 720 bilhões usd em 1989 para 1.570 bilhões USD em 1995. No segmento de derivativos, as aplicações anuais de “swaps” (juro e moeda) passaram de 560 bilhões USD em 1987 para 7.000 bilhões USD em 1994. Os sistemas financeiros nacionais estão muito mais integrados, pois as transações internacionais crescem mais rapidamente que as transações financeiras domésticas (9% contra 12%, ao longo dos 1990). Às vésperas da crise de 1997, a relação entre fluxos internacionais de capitais e de mercadorias atinge a proporção de 40 para 1, com investimentos anuais de cerca de 250 trilhões de USD. A poupança referente a seguros e fundos de pensão atingiu, em 1994, a cifra de 20 trilhões de USD, apenas nos países da OCDE. Atualmente, os depósitos bancários internacionais (mercado de crédito) movimentam anualmente cerca de 50 trilhões/USD.