(Daniele Gaspar)
É fato que estamos vivendo um processo de globalização financeira. Isso porque, nas últimas décadas, tivemos um avanço extraordinário da tecnologia combinado com a desregulamentação institucional de mercados. O que tornou o acesso à internet, a partir de aparelhos portáteis, uma realidade acessível a muitos de nós residentes de países emergentes. Por outro lado, permitiu a maior integração entre os sistemas financeiros de vários países, pois temos informações e oportunidades de realizar transações em qualquer parte do mundo em tempo real.
Temos assim a ocorrência de grandes fluxos de capital, migrando a todo segundo em busca de melhores remunerações. Além do que, há de se ressaltar que estamos vivendo um momento de muita liquidez (poupança) no mercado global. Com isso há muito dinheiro à procura de novos investimentos, sejam eles em seu próprio país, sejam eles em países nunca antes visitados. E dependendo da ótica do avaliador, esse fenômeno da globalização financeira apresenta aspectos positivos e negativos.
Por exemplo: a maior oferta de capital disponível aos países emergentes gera disponibilidade de recursos para o crescimento econômico e maior facilidade de financiamento de déficits fiscais, já que os governos deixam de depender apenas dos mercados domésticos. Porém esta mesma facilidade torna-se um risco devido à rapidez e à volatilidade deste capital, que a qualquer momento pode deixar um rombo na economia.
Outra conseqüência da globalização financeira é a falsa replicação de capitais sobre um único capital através de um sistema financeiro criado em formato de uma pirâmide, chamada de formação de bolhas financeiras. Que pode levar a uma sensação de crescimento patrimonial dos membros da pirâmide e um consequente aumento do consumo, assim comprometendo os credores em um investimento de risco, sem garantia de liquidez, acarretando a inflação de ativos. Este problema se agrava quando um dos membros dessa cadeia necessita liquidar o empréstimo e os outros membros abaixo de si não pagam o empréstimo. Esta situação gera estragos macroeconômicos.
Aspectos positivos e negativos da globalização financeira 1
ResponderExcluirA grande oferta de capitais disponível aos países emergentes, o acesso desimpedido de seus governos e empresas aos recursos de uma poupança virtualmente mundial e os baixos custos de informação e de transação prevalecentes, devem contribuir para se obter: maior disponibilidade de poupança, condição necessária para a elevação da taxa de crescimento econômico; maior eficiência nos investimentos, direcionando os recursos existentes para as oportunidades mais produtivas; disponibilidade de instrumentos para melhor gerenciamento de riscos financeiros, por parte de governos e empresas; maior facilidade de financiamento de déficits fiscais, já que os governos deixam de depender apenas dos mercados domésticos.
O rol dos problemas encarados pelos países em desenvolvimento, devido à súbita exposição às tentações e rigores de um mercado financeiro globalizado, aumenta cada vez mais. Os riscos macroeconômicos da maciça entrada de capitais nas economias de países em desenvolvimento merecem especial destaque, em virtude da rapidez com que suas conseqüências podem ser sentidas. Cumpre mencionar, inicialmente, os efeitos cambiais e monetários.
Em um regime de câmbio fixo, uma entrada líquida de capitais externos implicará a emissão de moeda por parte do Banco Central em montante equivalente, de modo a honrar seu compromisso de adquirir as divisas estrangeiras pela taxa de câmbio oficial. Percebe-se, assim, que, tudo o mais constante, a entrada de capitais provocará o efeito de expansão monetária, com possíveis impactos sobre a taxa de inflação doméstica.
Contrariamente, uma súbita reversão do fluxo financeiro, com saída líquida de capitais, acarretará o efeito oposto de contração monetária, trazendo em seu núcleo uma provável recessão doméstica, à mercê da contração do crédito. Mais importante do que tudo, porém, é o fato de que a política monetária perde toda a eficácia e torna-se completamente passiva, dependente dos fluxos exógenos de capitais. O governo vê-se, portanto, privado de um importante grau de autonomia na condução da política econômica.
Já em um regime de câmbio flexível, o efeito de uma entrada maciça de capitais não se manifesta diretamente sobre a quantidade de moeda, mas, sim, sobre a própria taxa de câmbio. Inevitavelmente, nessas condições, o aumento da oferta de divisas estrangeiras levará a uma valorização do câmbio (isto é, ao aumento do valor da moeda nacional em referência à moeda estrangeira), com os reflexos já conhecidos em termos de perda de competitividade comercial do país receptor de capitais.
(Jader Da Cas)
Aspectos positivos e negativos da globalização financeira 2
ResponderExcluirOutro perigo ao qual freqüentemente, estamos sujeitos, é a súbita reversão de expectativas do mercado, possibilidade cada vez mais presente em vista da rápida transmissão de choques, permitida pela integração dos mercados financeiros. Em geral, portanto, a atual fase de globalização financeira faz com que os países emergentes se defrontem com dificuldades e vários problemas, como riscos de volatilidade cambial, de elevação de juros, de aumento do passivo interno, e de vulnerabilidade a choques externos.
Há um outro aspecto, porém, que talvez represente a síntese do novo cenário em que os governos das nações em desenvolvimento se vêem forçados a atuar. Trata-se do fato de que a integração dos mercados financeiros minou consideravelmente a eficácia dos instrumentos tradicionais de condução da economia. De fato, a política monetária não mais pode ser considerada à parte da política cambial. Quaisquer medidas domésticas que afetem os juros também afetarão os fluxos de capital e, por conseguinte, o câmbio.
Em contrapartida, quaisquer decisões sobre o câmbio limitarão o nível dos juros disponíveis para o governo. Por seu turno, decisões de política fiscal também exercerão influência direta sobre as expectativas de mercado e, em conseqüência, sobre o fluxo de capitais, acarretando, ainda, no caso de países com mercados de títulos de longo prazo, influência sobre o nível dos juros domésticos.
Os governos perderam, vários graus de liberdade para este ente indefinido e misterioso, o chamado "mercado". Naturalmente, este debate encontra- se no início, suas consequências e os rumos que estão por vir, estender-se-ão no futuro, que caberá a nós contemplar e vivenciar.
(Jader Da Cas)