terça-feira, 13 de outubro de 2009

Globalização

(Marcos Mesquita)

A globalização é um fato em praticamente todos os setores da economia, dado o fluxo mundial de ativos financeiros, de mercadorias, moedas e derivativos dos mais variados tipos, por onde passam enormes quantias de dinheiro. Com isso, digo que a globalização certamente é um benefício, contudo, não afirmo categoricamente que é 100% benéfica, mas, no contexto geral, certamente aumenta a chance de se ter um retorno maior, devido à magnitude de oportunidades que surgem ao redor do mundo.

Além do que foi acima exposto, vejamos outros pontos aonde podemos alicerçar este ponto-de-vista. A economia mundial, já há algum tempo, vem acumulando poupança, tanto a nível pessoa física, como pessoa jurídica. E esta poupança acumulada, tende eternamente a buscar novas formas alternativas para maximizar o retorno, ou pelo menos, valorizar estes ativos de maneira que não percam seu valor, por ficarem estáticos no tempo. Com isso, há um “search” voraz, diário, em busca das opções de investimento, seja em uma aplicação em Hong Kong, ou a compra de ativos de algum empreendimento imobiliário em lugares não comuns, espalhados pelo planeta.

Um segundo ponto também nos chama a atenção, quando da movimentação internacional de capitais em busca das melhores opções de investimento, países, ou praças que antes não possuíam capital disponível para efetuar investimentos, hoje também já possuem uma infinidade de possibilidades de financiar seus empreendimentos, devido à esta poupança acumulada mundialmente. Por isso, vemos hoje países que oferecem uma remuneração mínima superior às oferecidas pelos países desenvolvidos, convergindo grandes somas de capital (o Brasil é um bom exemplo) para suas operações internas, impulsionando toda a economia interna destes países, fazendo rolar uma bola de neve econômica, aumentado a participação destes países no cenário econômico mundial.

Isto é, a globalização no seu teor, pode ser entendida sim como um benefício, como uma oportunidade, mas, contudo, olhando “o outro lado da moeda”, vemos uma avassaladora investida das empresas multinacionais em busca de mercados "nunca dantes navegados”, o que, em certos países, devido, na maioria dos casos, ao seu poderio econômico frente às empresas locais, acabam por disseminar uma onda de fechamentos das empresas concorrentes locais, por conseqüência da impossibilidade de se manterem economicamente viáveis, frente à concorrência externa. Isto para citar apenas um dentre outros motivos que poderiam servir para inspirar uma visão “maléfica” do processo da globalização.

Enfim, diante do exposto, além de apresentar novas oportunidades, como podemos ver pela evolução dos fatos recentes, também devemos considerar que se trata de um movimento sem retorno, pois a economia global cada vez mais irá guiar-se no sentido de uma unidade mundial, como vemos hoje a Europa com o Euro, e ainda outras dinâmicas de convergência econômica, o que, ao meu ver, depois de alguns anos e depois de vencidos algumas diferenças culturais, poderá se disseminar em dimensão planetária, Esta tendência, diante da velocidade dos acontecimentos atuais, provavelmente não levará muito tempo para se consolidar.

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