quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O impacto do lançamento de IPO em bolsas internacionais: empresas brasileiras.

(Diego de Lima Rocha)

A partir de meados da década de 1990, com a aceleração do movimento de abertura da economia brasileira, o volume de investidores estrangeiros atuando no mercado de capitais brasileiro cresceu de maneira expressiva. Além disso, algumas empresas brasileiras começaram a acessar o mercado externo através da listagem de suas ações em bolsas de valores estrangeiras sob a forma de ADRs (American Depositary Reciepts), com o objetivo de se capitalizar através do lançamento de valores mobiliários no exterior.

Ao listar suas ações nas bolsas americanas, as companhias abertas brasileiras foram obrigadas a seguir diversas regras impostas pela SEC (Securities and Exchange Commission), órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, relacionadas a aspectos contábeis, de transparência e divulgação de informações, os chamados "princípios de governança corporativa".

A abertura de capital, IPO (Initial Public Offering) em inglês, marca a venda das ações de uma empresa na Bolsa. Esse processo permite que os proprietários levantem capital para expandir a companhia e investir em novos negócios.

O principal destino das empresas brasileiras no exterior é a New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova Iorque), cuja abreviação oficial é NYSE, e é a maior e, juntamente com a Nasdaq e a American Exchange, uma das mais influentes bolsas de valores do mundo. Com um valor total de mercado de aproximadamente R$ 250 bilhões (dados 2009), é uma opção que as empresas têm à disposição para captar novos recursos. Isto significa muito mais recursos para investir e crescer, sendo conveniente não só para os estrangeiros, que podem investir nas empresas brasileiras, como também para os brasileiros, que veem seus investimentos se multiplicarem.

A empresa pioneira em lançamento de ações na NYSE foi a Aracruz (hoje Fibria, após incorporação pela Votorantim Celulose e Papel), há mais de 15 anos atrás. Em 2011, já eram 27 empresas brasileiras com ações listadas na NYSE, entre elas Sadia, Pão de Açúcar, AmBev (que teve valorização dos seus papéis de 13% em sete meses), Vale e Petrobras (valorização de 7% em oito meses), estando estas duas últimas entre as 35 empresas com mais liquidez da Bolsa de Nova Iorque.

Em número de empresas listadas na NYSE, o Brasil é o terceiro país estrangeiro perdendo apenas para a China e Canadá, com 152 e 68 companhias listadas respectivamente em 2011. Em volume de negócios, porém, a situação é ainda mais favorável para as companhias brasileiras. Elas movimentam cerca de US$ 2,7 bilhões por dia – quase o mesmo montante de dinheiro que circula em toda a Bovespa em um pregão -, perdendo apenas para as empresas americanas em valores movimentados no pregão nova-iorquino.

As exigências para que uma empresa estrangeira lance ações em Bolsas americanas são muitas. A principal delas é a necessidade de divulgar informações ao mercado de acordo com a lei contábil americana, a Sarbanes-Oxley. Esta exigência acaba por afastar companhias, já que os custos para a elaboração dos balanços costumam ser muito altos (podendo chegar a US$ 2 milhões por ano).

Com os balanços devidamente prontos é preciso conseguir a aprovação da SEC (Securities and Exchange Commission), órgão que regula o mercado de ações local. Além disso, a empresa terá que pagar US$ 150 mil à NYSE para fazer a listagem e depois arcará com uma taxa anual de, pelo menos, US$ 38 mil por ano. O tamanho das empresas brasileiras, porém, não é uma barreira para listagem na NYSE, sendo o valor mínimo necessário para realizar uma oferta de US$ 60 milhões.

Entre as principais vantagens de listar ações em mercados internacionais está a possibilidade de captação de recursos e diversificação de acionistas. A facilidade de captação de recursos nos EUA, por exemplo, se deve ao fato deste país ser o lugar mais barato do mundo para se negociar ações, uma vez que o negócio já é fechado em dólar e liquidado nos EUA, enquanto o Brasil é um dos mais caros.

Sendo assim, apenas investidores estrangeiros de grande porte possuem estrutura para investir em ações no Brasil. Quando listados em bolsas estrangeiras, os aplicadores de menor porte passam a ter acesso aos papéis, diversificando e facilitando a captação de recursos.

Outra diferença é o perfil investidor dos diversos países. Enquanto nos EUA, por exemplo, as ações representam 60% da poupança nacional, no Brasil esse número cai para 2% demonstrando o hábito do brasileiro de não arriscar suas economias em ações.

Por fim, uma empresa com ações listadas em bolsas estrangeiras ganha em visibilidade, liquidez e valor de mercado, pois se sabe que esta empresa se adaptou aos padrões de contabilidade internacionais e obtiveram aprovação do órgão que regulamenta seu mercado de ações.

A Bovespa é a principal afetada pela migração de empresas nacionais para o exterior. O primeiro problema são as taxas e comissões pagas por empresas brasileiras para manter ações nestas bolsas, deixando de pagá-las para a Bolsa de São Paulo.

Outro caso são empresas estrangeiras que compram empresas nacionais e fecham capital, mantendo seus papéis em bolsas mais fortes. Isso aconteceu com a Brastemp, que foi comprada pela americana Whirpool e teve seus papéis retirados da Bovespa e centralizados em Nova Iorque.

Assim, o mercado de ações brasileiro perde uma grande chance de expansão mantendo-se como opção secundária a Bolsas de Valores mais fortes pelo mundo.

Referências

BAPTISTA, Cristiana. Na capital do dinheiro. Disponível em: http://veja.abril.com.br/180401/p_110.html.
Acesso em: 28 de out. 2013.

VALLE, Sabrina. Bolsa de Nova York quer atrair mais empresas brasileiras. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/neg%C3%B3cios,bolsa-de-nova-york-quer-atrair-mais-empresas-brasileiras,80244,0.htm.
Acesso em: 28 de out. 2013.

SILVA, João Carlos da. Ações de empresas brasileiras são negociadas na bolsa de Nova York. Disponível em: http://www.informaticaeinternet.com.br/corretora/acoes-de-empresas-brasileiras-sao-negociadas-na-bolsa-de-nova-york/.
Acesso em: 28 de out. 2013.

SANDRINI, João. As vantagens de listar ações em Nova York. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/vantagens-listar-acoes-nova-york-532242.
Acesso em: 30 de out. 2013.

LADEIRA, Fernando. Com ADRs, empresas brasileiras se capitalizam no exterior. Disponível em: https://www.wintrade.com.br/WinNews/news/com-adrs-empresas-brasileiras-se-capitalizam-no-exterior/308.
Acesso em: 30 de out. 2013.

 

Um comentário:

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