(Jornal do Commercio de 9 de Outubro de 2009)
por : Ricardo Leopoldo
por : Ricardo Leopoldo
O diretor estrategista da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações, afirmou que, se for mantido o atual ritmo de ingresso de capitais no País nos próximos trimestres, será inevitável que o real continue se valorizando com vigor em relação ao dólar, a ponto de, tudo o mais constante, chegar à cotação média de R$ 1,60 em 2010. Ele avalia ser bastante viável que o dólar atinja R$ 1,50 em alguns momentos do próximo ano.
Em função do forte ingresso de recursos do exterior, reflexo da tendência estrutural de depreciação da moeda norte-americana, o especialista acredita que o Banco Central aumentará o volume de reservas cambiais dos atuais US$ 225 bilhões para US$ 270 bilhões no próximo ano.
Ainda segindo a avaliação de Mendonça de Barros, está “absolutamente abalada” a força da divisa dos Estados Unidos como moeda de reserva global. “A atual crise mundial apenas catalisou um processo de reconhecimento internacional de que o dólar não tem mais credibilidade para ser a moeda do mundo”, disse ele. Segundo o ex-ministro, o “credit crunch” mostrou que a economia norte-americana tem problemas sérios e não é inabalável.
Para evitar que o sistema financeiro doméstico entrasse em risco sistêmico, o governo norteamericano injetou alguns trilhões de dólares na economia, o que deve elevar o déficit público neste ano para um patamar próximo a 11% do PIB. Segundo o ex-ministro, como o dólar está sendo questionado como o principal pilar monetário global, a apreciação do câmbio aqui deve se intensificar, porque investidores estão confiantes em que as perspectivas para o real e para a economia brasileira nos próximos dez anos são bem mais favoráveis, em termos relativos, do que para a divisa norte-americana e para os EUA.
Mendonça de Barros reconhece que “a valorização do real ante o dólar é um problema que prejudica a indústria nacional”. “Hoje, as importações de automóveis do Brasil são maiores do que as exportações de veículos”, comentou.
Para atenuar os efeitos negativos da apreciação do câmbio, ele acredita que o Banco Central continuará a comprar dólares com intensidade por um bom período. De acordo com o ex-ministro, a tendência de apreciação do câmbio no próximo ano deve se acentuar, sobretudo porque o diferencial de juros entre Brasil e EUA também deve crescer. A taxa atual de juros no país norte-americano oscila entre 0% e 0,25%.
Para o JP Morgan, este patamar deve ser mantido até dezembro do próximo ano. Por outro lado, Mendonça de Barros acredita que o robusto crescimento do nível de atividade no Brasil deverá levar o Banco Central a elevar a Selic a partir do primeiro trimestre do ano que vem. “Acho que o BC aumentará os juros em 400 pontos-base no ano que vem. O Copom deve começar com uma alta de 50 pontos-base e chega no final desse movimento a uma subida mais forte, de 100 pontos-base”, afirmou. Assim, num horizonte de 14 meses, a Selic saltaria dos atuais 8,75% ao ano para 12,75%.
Devido ao que chama de “definitiva” perda de confiança de investidores em relação ao dólar, o ex-ministro diz ser inevitável também que os países membros da Opep substituam em algum momento o dólar como padrão monetário que baliza a cotação do barril de petróleo, tal como foi abordado no último dia 6 pelo jornalista britânico Robert Fisk no jornal The Independent – segundo a reportagem, os países exportadores da commodity já começam a se articular com nações emergentes, como China, Rússia e Brasil, para adotar uma cesta de moedas, da qual faria parte euro, iene, yuan e ouro.
“Isso deve acontecer sim”, concorda Mendonça de Barros. “Os países que produzem petróleo não querem que seu ativo esteja atrelado a uma moeda que está perdendo a força de vez”, disse. Para o ex-ministro, o ocaso do dólar é um processo semelhante ao que ocorreu no interregno da Libra do Reino Unido entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Depois do primeiro conflito, que durou de 1914 a 1918, a decadência econômica britânica viabilizou a ascensão da divisa norte-americana. Com a vitória dos aliados sobre as tropas alemãs em 1945, os EUA assumiram o papel de líder global e passaram a determinar os movimentos monetários do mundo.
Como acredita que o dólar dos EUA “não se recuperará nunca mais”, até porque não interessa a valorização da moeda pelo seu próprio governo, já que precisa da divisa mais fraca para exportar mais, Mendonça de Barros acredita que o Banco Central do Brasil deveria abandonar “assim que possível” a vinculação direta do real ao dólar para operações de comércio exterior e que envolvem ativos financeiros. “Na atual conjuntura, é melhor estar atrelado a uma cesta de moedas, que incluiria o euro, iene, yuan e o dólar também. Enfim, um conjunto de divisas que pondere a nossa relação (comercial e financeira) com o mundo”, disse ele.
Em função do forte ingresso de recursos do exterior, reflexo da tendência estrutural de depreciação da moeda norte-americana, o especialista acredita que o Banco Central aumentará o volume de reservas cambiais dos atuais US$ 225 bilhões para US$ 270 bilhões no próximo ano.
Ainda segindo a avaliação de Mendonça de Barros, está “absolutamente abalada” a força da divisa dos Estados Unidos como moeda de reserva global. “A atual crise mundial apenas catalisou um processo de reconhecimento internacional de que o dólar não tem mais credibilidade para ser a moeda do mundo”, disse ele. Segundo o ex-ministro, o “credit crunch” mostrou que a economia norte-americana tem problemas sérios e não é inabalável.
Para evitar que o sistema financeiro doméstico entrasse em risco sistêmico, o governo norteamericano injetou alguns trilhões de dólares na economia, o que deve elevar o déficit público neste ano para um patamar próximo a 11% do PIB. Segundo o ex-ministro, como o dólar está sendo questionado como o principal pilar monetário global, a apreciação do câmbio aqui deve se intensificar, porque investidores estão confiantes em que as perspectivas para o real e para a economia brasileira nos próximos dez anos são bem mais favoráveis, em termos relativos, do que para a divisa norte-americana e para os EUA.
Mendonça de Barros reconhece que “a valorização do real ante o dólar é um problema que prejudica a indústria nacional”. “Hoje, as importações de automóveis do Brasil são maiores do que as exportações de veículos”, comentou.
Para atenuar os efeitos negativos da apreciação do câmbio, ele acredita que o Banco Central continuará a comprar dólares com intensidade por um bom período. De acordo com o ex-ministro, a tendência de apreciação do câmbio no próximo ano deve se acentuar, sobretudo porque o diferencial de juros entre Brasil e EUA também deve crescer. A taxa atual de juros no país norte-americano oscila entre 0% e 0,25%.
Para o JP Morgan, este patamar deve ser mantido até dezembro do próximo ano. Por outro lado, Mendonça de Barros acredita que o robusto crescimento do nível de atividade no Brasil deverá levar o Banco Central a elevar a Selic a partir do primeiro trimestre do ano que vem. “Acho que o BC aumentará os juros em 400 pontos-base no ano que vem. O Copom deve começar com uma alta de 50 pontos-base e chega no final desse movimento a uma subida mais forte, de 100 pontos-base”, afirmou. Assim, num horizonte de 14 meses, a Selic saltaria dos atuais 8,75% ao ano para 12,75%.
Devido ao que chama de “definitiva” perda de confiança de investidores em relação ao dólar, o ex-ministro diz ser inevitável também que os países membros da Opep substituam em algum momento o dólar como padrão monetário que baliza a cotação do barril de petróleo, tal como foi abordado no último dia 6 pelo jornalista britânico Robert Fisk no jornal The Independent – segundo a reportagem, os países exportadores da commodity já começam a se articular com nações emergentes, como China, Rússia e Brasil, para adotar uma cesta de moedas, da qual faria parte euro, iene, yuan e ouro.
“Isso deve acontecer sim”, concorda Mendonça de Barros. “Os países que produzem petróleo não querem que seu ativo esteja atrelado a uma moeda que está perdendo a força de vez”, disse. Para o ex-ministro, o ocaso do dólar é um processo semelhante ao que ocorreu no interregno da Libra do Reino Unido entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Depois do primeiro conflito, que durou de 1914 a 1918, a decadência econômica britânica viabilizou a ascensão da divisa norte-americana. Com a vitória dos aliados sobre as tropas alemãs em 1945, os EUA assumiram o papel de líder global e passaram a determinar os movimentos monetários do mundo.
Como acredita que o dólar dos EUA “não se recuperará nunca mais”, até porque não interessa a valorização da moeda pelo seu próprio governo, já que precisa da divisa mais fraca para exportar mais, Mendonça de Barros acredita que o Banco Central do Brasil deveria abandonar “assim que possível” a vinculação direta do real ao dólar para operações de comércio exterior e que envolvem ativos financeiros. “Na atual conjuntura, é melhor estar atrelado a uma cesta de moedas, que incluiria o euro, iene, yuan e o dólar também. Enfim, um conjunto de divisas que pondere a nossa relação (comercial e financeira) com o mundo”, disse ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário